Maryam é o nome de uma menina Iraquiana. Faz parte dos 120 mil cristãos que tiveram de fugir dos jihadistas do ‘Estado Islâmico’, e que, com a sua família, procura refazer a vida, com fé num futuro melhor: “Chamo-me Maryam Behnam. Estou no quinto ano, na Escola Primária, dirigida pelas Irmãs Dominicanas em Ankawa, no Iraque”. Relata aquele dia em que, ouvindo “bombas a cair”, num dia em que “morreu uma criança”, à pressa, com a sua família, foram obrigadas a deixar a vila onde viviam, fazendo, agora, de uma caravana a sua casa. E confessa: “Tenho saudades da minha casa. Se pudesse, voltava para casa amanhã”. Para espanto de muitos, vai-nos falando da sua alma cheia de Jesus Vivo: “Eu rezo por aqueles que procuram a verdade e rezo pelo EI, para que o amor um dia mude os seus corações”. E acrescenta: “ rezem por mim”.

O que é Páscoa? O que é ser Páscoa? É a misericórdia de Deus a florir mesmo em terra mais árida. É ser como Maryam: “rezo pelo EI, para que o amor um dia mude os seus corações”. Recordo ter lido, neste tempo Pascal, num dos nossos jornais diários: “a quem te bate numa face, mostra-lhe outro caminho”. Sim, urge cristãos a viver esta utopia, já em construção: fazer florir a justiça e a paz, desde já, aqui agora. É tempo para pôr-se a caminho e preferir a via do encontro e da confiança. Em vez de caminhos de retaliação, de desprezo ou indiferença, urge desbravar estradas outras, estradas diferentes, mas “novas”, mesmo que, para o racionalismo presente, possam parecer utopias.

Março 2016

P. José Baptista

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