“Lavar as mãos é importante, mas é mais importante planear como vamos socorrer os afetados. Que ninguém abandone o familiar e o vizinho contagiado. Que ninguém fique só. Respeitando as condições básicas de higiene, utilizemos as ferramentas próprias para protegeros mais débeis” – diz P. Pedro Ortiz, de Porto Rico. E cita Rubén Blades: “Quanto controle e quanto amor, tem de haver em casa. Muito controle e muito amor, para enfrentar a desgraça”. A família é sempre fundamental, mais agora.


Não estamos habituados a permanecer tanto tempo em casa. É preciso reaprender. Nunca temos tempo para os filhos, agora sim podemos ouvir, estar com, acompanhar, contar histórias, rezar. Pai e mãe, terão hora para
“sentar juntos”, avaliar, tomar decisões, perdoar-se, planear a oportunidade de crescer juntos entre eles e com os filhos. Não há eucaristias comunitárias, mas nunca sentimos tanta necessidade de Deus. Acompanhar a celebração na TV, meditar juntos o Evangelho de Domingo, recitar as orações que já esquecemos, fortalecer as raízes e o projeto da família.
Crise é oportunidade para renascer.


Não tenhas medo, diz o Evangelho centenas de vezes, desde Belém até ao sepulcro. Haverá mortes, sofrimento, mas não é o fim, é um recomeço na vida da família, na vida social, no sistema económico e na vida política. Não tenhas medo, resiste ao pânico. Pânico e medo não vêm de Deus. Calma e esperança, sim. Há muita mentira no ar. O Espírito de Deus desperta coragem e força, inspiração e tranquilidade – diz Santo Inácio.


Não é preciso culpar nem odiar ninguém, nem chineses, nem italianos, nem vizinhos. Os infetados não têm culpa. “Muitas coisas foram canceladas, o amor não é uma delas”, lembra James Martin.
Cuida dos doentes. Alguns vão morrer, faz o que puderes pelos idosos, os pobres, os isolados. Toma precauções e ajuda: “Eu estava doente, e vieste visitar-me”, diz Jesus (Mt 25). No tempo d’Ele era mais perigoso visitar doentes e Ele arriscou. Essa é a tradição cristã. E muitos não cristãos estão a fazê-lo. Não feches o coração àqueles que não têm serviço de saúde. Mantem o teu coração aberto para todos os necessitados. Já existem muitas iniciativas para ajudar. Colabora. Não deixes infetar a tua consciência.

Reza. A peste roubou-nos a parte mais consoladora da nossa vida cristã: a missa e a Eucaristia. A quarentena quebra o individualismo, prova que só temos vida em comunidade. Só somos livres em conjunto. Quarentena é ser solidário. No isolamento não estamos sós. Reza por conta própria, faz comunhão espiritual. Reza em família. Deus está presente no meio da crise e trabalha contigo e para ti. A Igreja não é um edifício, é comunidade, família de Deus presente no mundo inteiro. Há milhares de comunidades que só têm Missa uma vez por ano. Aos privilegiados, pode fazer-nos bem um jejum de Missa, sentir na pele a dor dos que não têm padre.


Confia em Deus. O isolamento provoca stress, agrava o medo e pode levar a depressões. Mas é certo que Jesus conhece o mundo da doença e veio ao seu encontro. Ele ouve as tuas orações, está contigo. Esta crise não atinge só a saúde. Pode mudar o mundo da economia, do emprego, os esquemas de valores, as relações sociais e familiares. Não te faças de vítima.
Haverá oportunidade para seres ator.

Pe Jerónimo Nunes (SMBN)

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